Executivo
Declarações de André Coutinho sobre processos no TRE trazem Vítor Hugo para o centro da ‘En Passant’
01/09/2025 08:32

Suetoni Souto Maior

André Coutinho diz que exigiu certidão criminal de todos os contratados pela prefeitura de Cabedelo. Foto: Divulgação

Declarações do prefeito de Cabedelo, André Coutinho (Avante), repercutiram muito no fim de semana, principalmente as relacionadas às questões jurídicas. O gestor teve o mandato cassado em primeiro grau, neste ano, como consequência da operação En Passant, que apura o aliciamento violento de eleitores. Segundo o Ministério Público, pessoas ligadas a faccionados foram inseridas na folha de pagamento da gestão municipal e, em contrapartida, teriam garantido as votações em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas. O problema nisso tudo, relata o gestor, é que ele não tinha poder de nomeação na época.

A entrevista foi concedida ao podcast do Ninja. Nela, o hoje prefeito de Cabedelo lembra que no período relacionado à denúncia, o prefeito era Vítor Hugo (Avante), também relacionado entre os denunciados pelo Ministério Público Eleitoral. Portanto, se houve nomeações não republicanas, elas teriam sido feitas pelo antecessor. Contra o ex-gestor, pesam processos nas searas eleitoral e criminal, ambos relacionados à contratação de pessoas ligadas ao tráfico. Além do prefeito e do ex-prefeito, foram denunciados o vereador Márcio Silva (União Brasil) e o traficante Flávio de Lima Monteiro (Fatoka).

Apesar de ter sido o maior prejudicado até agora no processo, já que tenta reverter a cassação com recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), André Coutinho chama a atenção para o fato de que ele, na época dos fatos denunciados, não tinha prerrogativa nem poder de nomear quem quer que seja. “Qual era o cargo que eu exercia na época?”, questionou o prefeito durante a entrevista, para concluir que não poderia estar sendo acusado de ter feito nomeações. No período em que concorreu ao cargo de prefeito, ele ocupava a função de presidente da Câmara Municipal de Cabedelo.

“Não tem uma investigação contra o presidente da Câmara. Eu tinha a possibilidade de nomear (no Legislativo). Não fiz uma nomeação. Não demiti ninguém para contratar outra, para mexer no tabuleiro como o povo diz aí na campanha. Zero. Pega o extrato aí da Câmara, não tem nomeação”, ressaltou, acrescentando ainda que teve 66% dos votos e venceu a eleição em todas as zonas eleitorais, seja de comunidades dominadas pelo tráfico ou não. Coutinho também disse que todos os servidores contratados por ele, quando assumiu a prefeitura, tiveram que apresentar certidões criminais.

As declarações trazem uma preocupação a mais para o ex-prefeito Vítor Hugo, que integra o polo passivo nas denúncias relacionadas às searas eleitoral e criminal.

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