O advogado Cristiano Zanin tem liderado a bolsa de apostas entre os favoritos para ocupar a vaga a ser aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) com a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski, prevista para o próximo dia 11. Os motivos para isso são facilmente enumerados: tem perfil garantista, é jovem (47 anos) e, principalmente, ganhou notoriedade por ter conduzido para o arquivamento todos os processos movidos pela força-tarefa da Lava Jato contra o presidete Lula (PT) e que resultaram, por exemplo, na prisão do petista por mais de 500 dias. Este último atributo, inclusive, é o único motivo de controvérsias até agora.
Acontece que a indicação do futuro ministro é prerrogativa exclusiva do presidente. E é justamente isso que tem feito muita gente do entorno de Lula defender que o escolhido seja alguém de extrema confiança. Algo parecido com o feito pelo antecessor, Jair Bolsonaro (PL). Este último optou por perfis escalados muito mais pela fidelidade ao seu projeto de poder que pelo notável saber jurídico. Não que esse requisito tenha deixado de ser preenchido pelo ministro André Mendonça, por exemplo. Mas é bem verdade que pesou mais para a indicação o fato de ele se enquadrar no perfil “terrivelmente evangélico” prometido a aliados.
Isso tem estimulado especulações de que Zanin poderia ser escalado como nome “terrivelmente lulista” para fazer o contraponto a Mendonça e a Nunes Marques, outro indicado por Bolsonaro. É difícil dizer que essa métrica possa encontrar justa posição no perfil do advogado. O caso de Dias Toffoli está aí para comprovar que essa máxima é falha. Ele foi advogado de Lula e chegou ao Supremo por indicação do petista. Mesmo assim, não corou ao flertar com o bolsonarismo e com os militares no início do governo passado.
Por isso, mais que a “gratidão” por causa da atuação de Zanin nos processos do petista, deve pesar para a indicação do advogado o perfil garantista. E é justamente isso o que tem feito o nome dele transitar bem entre aliados e “adversários” de Lula no Congresso, com exceção do senador Sérgio Moro (União-PR). O site Metrópoles trouxe matéria de bastidores, nesta sexta-feira (31), indicando que o Partido Progressita, aliado de Bolsonaro, fez chegar ao presidente Lula que os parlamentares da sigla devem apoiar o nome do advogado, caso ele seja indicado. Isso por que a classe política, em grande parte, teme juízes mais punitivistas.
Um ponto que precisa ser lembrado é que as indicações de ministros por petistas, historicamente, não trouxeram vantagens em processos que tinham filiados do partido como réus. Basta lembrar o caso do Mensalão e, posteriormente, do Petrolão. É diferente do que foi visto em relação aos indicados por Bolsonaro, que se mostraram mais fieis à linha defendida pelo capitão reformado do Exército. O ministro que demonstrou mais afinidade com os petistas até agora foi justamente Ricardo Lewandowski. De saída, nesta sexta, o ministro disse ver com bons olhos a provável escolha de Zanin.
O advogado tem recebido seguidos elogios de ministros e ex-ministros. São os casos de Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que em entrevistas recentes trataram de afastar qualquer impedimento relacionado à proximidade de Zanin com Lula. A mesma opinião foi externada pelo ex-ministro Celso de Mello. Para ele, o advogado “ostenta todos os atributos pessoais e profissionais necessários à sua indicação ao Supremo”. A partir do dia 11 de abril, com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski, começará a contagem regressiva para a escolha do substituto. O favorito todo mundo já sabe. Agora, se ele será “terrivelmente lulista”, só o tempo dirá.
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