O anúncio feito por Romero Rodrigues (PSD) de que vai apoiar a pré-candidatura do deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) não deveria causar surpresa. Esse movimento era óbvio, dada a relação de parentesco e entrelaçamento político entre os grupos. Fica patente, portanto, que o flerte do ex-prefeito de Campina Grande com o esquema do governador João Azevêdo (Cidadania) era um ponto fora da curva. E o pior é que “a aventura de verão” teve consequências graves na base governista, como o precoce afastamento do senador Veneziano Vital do Rêgo, com riscos de o ex-cabeludo de se tornar mais um candidato da oposição.
No confronto de expectativa versus realidade, o fim da história foi que Veneziano saiu e Romero não vem mais. Ele confirmou nesta sexta-feira (28) o apoio à pré-candidatura de Pedro Cunha Lima para a disputa do governo. Aliás, nunca houve gestos cristalinos de que o ex-prefeito abandonaria o antigo ninho. Toda a expectativa gerada ocorreu em cima de especulações. Até porque essa aliança nunca foi confirmada. De prático houve apenas as consequências geradas pela aproximação entre João e Romero.
A saída de Veneziano da base com o potencial de se tornar candidato e ainda o risco de puxar o apoio do ex-presidente Lula (PT) para o seu palanque é uma perda considerável. Ela expõe o enfraquecimento da base de apoio, principalmente quando a gente lembra que o caminho até a eleição é longo e recheado de armadilhas. Uma delas, para quem tem uma base de apoio tão grande quanto a do atual governador, é o movimento natural de lideranças deixando o agrupamento por falta de espaço. Só que se o movimento for intensificado na fase decisiva, gera-se a impressão de fim de festa e isso embaralha a perspectiva de vitória.
A conta feita hoje é que João Azevêdo perdeu Veneziano e deixou de ter Romero Rodrigues na sua base. A vice-governadora, Lígia Feliciano (PDT), também bateu em retirada. Daqui a pouco haverá a possível migração de outros apoiadores. É gritante, por exemplo, a constatação de que não há espaço na base aliada para manter as candidaturas ao Senado dos deputados federais Efraim Filho (DEM) e Aguinaldo Ribeiro (PP). Um dos dois terá que procurar novos ares. Quem será? O governador terá que decidir em breve, porque não será possível agradar a gregos e baianos por muito tempo.
O governador, neste momento, vai precisar consistência nos movimentos políticos para repor os apoios e tentar ampliar o seu agrupamento, mesmo que artificialmente. Ele tem a caneta a seu favor neste movimento. O fato é que se ficar olhando o tempo passar, terá dificuldade de estancar a sangria e o clima de fim de festa, mesmo com a banda tocando.
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