Sabe aquela lógica de que não existe espaço vazio na política? Pois é. Ela tem dado as cartas nos últimos dias nas articulações visando as eleições para 2026, na Paraíba. Os movimentos são latentes na base aliada ao governador João Azevêdo (PSB), onde o desenho da chapa majoritária para o ano que vem parece pronto e acabado. Não raro, secretários estaduais e dirigentes partidários cravam Lucas Ribeiro (PP) como candidato à reeleição, tendo Azevêdo e o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), como candidatos às duas vagas do Senado.
A conta tem feito sobrar na curva o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), e o presidente da Assembleia Legislativa, Adriano Galdino (Republicanos), e vem animando a oposição. Nesta semana, o presidente estadual do PL, Marcelo Queiroga, demonstrou empolgação ao falar sobre uma eventual composição com o prefeito da capital durante entrevista na CBN. Mesmo sem cravar a possibilidade de aliança para o primeiro turno, o antigo crítico do gestor pessoense deixou a porta aberta para o segundo turno, abrindo espaço para elogios à experiência política do gestor pessoense, seu adversário nas eleições de 2024.
As especulações sobre uma possível aproximação ganharam força desde a primeira semana do mês, quando o prefeito trocou uma audiência do Orçamento Democrático, em Campina Grande, por uma sesão de cinema sobre a vida de Ronaldo Cunha Lima. O ex-governador, personagem do curta Habeas Pinho, era o único elo que ainda restava entre Cícero (ex-vice-governador de Ronaldo) e Cássio Cunha Lima, filho do político e poeta já falecido. De lá para cá, houve convite de filiação ao MDB feito pelo senador Veneziano Vital do Rêgo e vários outros assédios.
Do lado de Galdino, o que se tem visto é o escancaramento do desconforto por ser preterido, segundo ele, pelo governo e pelo partido. Esta semana, o deputado protagonizou uma crise com o governo, concretizada na briga sobre qual ato relativo à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 é válido: o texto promulgado pelo presidente da Assembleia ou a sanção do governador. O parlamentar diz que o governo perdeu o prazo para se manifestar sobre a peça, enquanto a Procuradoria-Geral do Estado garante que não. A briga tem raízes administrativas, mas cheira a desentendimento político.
Por outro lado, de forma confortável, Lucas caminha para consolidar sua pré-candidatura. Apenas o governador João Azevêdo não tornou isso patente (ainda), mas o entendimento das lideranças governistas é conhecido: o vice-governador assume a titularidade do mandato em abril de 2026 e disputa a reeleição. O secretário de Administração do Estado, Tibério Limeira, já escancarou sua visão sobre isso. O mesmo foi feito por outro auxiliar importante no governo, o secretário Deusdete Queiroga (Recursos Hídricos). Isso sem falar nas declarações do deputado federal Aguinaldo Ribeiro e da senadora Daniella Ribeiro, ambos do PP.
O que temos pela frente, por isso, é jogo jogado e peças que tendem a se acomodar, seja no governo ou na oposição.
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