A Petrobras anunciou, nesta segunda-feira (2), uma redução de 5,6% no preço da gasolina vendida às distribuidoras. O corte representa R$ 0,17 por litro, e o novo valor — R$ 2,85 — passa a vigorar a partir desta terça-feira (3).
É o primeiro recuo no preço do combustível desde julho de 2024 e deve impactar diretamente o bolso do consumidor. A estatal estima que, considerando a mistura obrigatória com etanol, o efeito nas bombas será de R$ 0,12 por litro.
A medida ocorre em um momento de alívio nos preços internacionais do petróleo e pode ajudar a puxar para baixo a inflação de junho. Segundo o economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), se o repasse for integral, o impacto no IPCA será de -0,10 ponto percentual. “É um alívio importante num mês pressionado pela alta da energia elétrica, com a bandeira vermelha em vigor”, pontua.
Contexto político e econômico
A decisão da Petrobras vem após semanas de pressão por parte do mercado, que vinha apontando defasagem nos preços praticados pela estatal em relação ao mercado internacional. O valor cobrado pela empresa estava R$ 0,08 acima da paridade de importação, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom).
O corte também sinaliza que a companhia segue operando com autonomia para definir sua política de preços, mesmo sob o olhar atento do governo federal, que acompanha de perto os efeitos da inflação nos combustíveis sobre o humor do eleitorado.
Desde dezembro de 2022, a Petrobras acumula uma redução de R$ 0,22 no litro da gasolina. Se descontada a inflação do período, a queda real chega a R$ 0,60 — cerca de 17,5%, segundo dados da própria estatal.
E o consumidor?
Apesar do alívio nas refinarias, o consumidor ainda depende da boa vontade do varejo e dos efeitos da concorrência para sentir a diferença no bolso. Fatores como margens de revenda, impostos estaduais e a política de cada posto podem limitar o impacto direto do corte.
A expectativa, no entanto, é de recuo nos preços nos próximos dias — especialmente em grandes centros urbanos. O movimento também pode aliviar pressões sobre a política monetária, que já lida com os efeitos do aumento na tarifa de energia.
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