A mais recente pesquisa do Datafolha revela que o presidente Lula enfrenta desgaste em áreas sensíveis do governo, como inflação e segurança pública. Metade dos entrevistados (50%) avalia que a gestão petista tem desempenho pior que a de Jair Bolsonaro no controle dos preços. Apenas 29% percebem melhora, e outros 17% apontam empate. No campo da segurança, 46% dizem que a situação piorou sob Lula, enquanto 29% enxergam avanço. Esses índices fortalecem o discurso da direita em torno da pauta de “lei e ordem”, que segue mobilizando parte significativa do eleitorado.
Mesmo temas que foram carro-chefe na campanha, como saúde, meio ambiente e combate à pobreza, apresentam empate técnico ou vantagem pouco expressiva. Na saúde, 40% consideram que houve piora e 38% identificam melhora. No meio ambiente, o placar é de 39% a 37% para Lula. Já no combate à pobreza, os números ficam em 41% a favor do atual presidente contra 40% que preferem o desempenho do antecessor. Os dados mostram um cenário polarizado e de avaliação dividida, sem hegemonia clara da imagem do governo federal nesses campos.
Nas áreas sociais, há algum fôlego, mas ele é curto. Na geração de empregos, Lula lidera com 43%, contra 36% de Bolsonaro. Na educação, a margem cai para 42% a 38%, influenciada por iniciativas como o programa Pé-de-Meia. No quesito habitação, 40% escolhem o petista, 33% apontam o ex-presidente e 22% avaliam que ambos são equivalentes. Apesar das vantagens, os números demonstram que o Planalto ainda não conseguiu consolidar uma percepção de desempenho amplamente positivo nesses setores.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 136 cidades entre os dias 10 e 11 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A avaliação do governo também revela estagnação: 28% aprovam a gestão de Lula e 40% reprovam. A leve recuperação observada em abril foi revertida. Entre os eleitores de menor renda, que ganham até dois salários mínimos, a percepção negativa sobre a inflação cai para 43%. Já entre os que recebem acima de dez salários, esse número dispara para 68%, evidenciando o peso do custo de vida na opinião pública.
Apesar dos desafios, Lula ainda aparece como favorito na corrida presidencial de 2026. No primeiro turno, lidera com 36%, contra 30% de Bolsonaro. Nos cenários de segundo turno, vence todos os adversários. A menor margem de vitória é contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com nove pontos de vantagem. Com Bolsonaro inelegível, os votos do campo bolsonarista se dividem: 23% optariam por Michelle Bolsonaro e 21% por Tarcísio, mas nenhum dos dois consegue, por ora, repetir o capital eleitoral do ex-presidente.
A polarização permanece intacta: 44% rejeitam Bolsonaro e 42% rejeitam Lula. O cenário, comparado por analistas a um clássico Fla-Flu, dificulta a ascensão de alternativas fora dos dois polos. Para manter a dianteira, o governo precisará entregar resultado concreto em duas frentes: queda da inflação e melhora na segurança. Se falhar, abre-se espaço para o fortalecimento de uma candidatura de direita ou mesmo de um outsider que consiga canalizar o desejo de mudança. Por ora, Lula lidera. Mas com um sinal de alerta aceso no Planalto.
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