O ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga (PL), apresentou uma saída nesta terça-feira (8) para o caso dos condenados pelo 8 de janeiro, caso o Congresso Nacional não dê seguimento ao projeto de anistia pretendido. Durante entrevista à rádio Arapuan, de João Pessoa, ele disse ter esperanças que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) perdoe os crimes dos responsáveis pela quebradeira nas sedes dos Três Poderes, suspeitos tentativa de ruptura do estado democrático de direito.
O problema na observação feita pelo ministro é o fato de Bolsonaro estar inelegível, por causa de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apesar disso, Queiroga diz ainda acreditar em reversão. O ex-presidente é o que se apresenta mais próximo ao presidente Lula (PT) na corrida eleitoral, de acordo com o Datafolha. O atual mandatário teria 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno, em 2026, enquanto que o ex emplacaria 40%. Mas como este cenário é difícil de se concretizar, Queiroga aposta no familismo para resolver a parada.
As opções apresentadas pelo ex-ministro são a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, ambos do PL. Queiroga diz que as pesquisas mostram os dois com mais chances de enfrentar e tentar impedir a reeleição de Lula. O ex-ministro foi questionado sobre a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ser o candidato. Ele fez elogios ao mandatário, mas deixou claro que a predileção continua sendo por um familiar de Bolsonaro.
O que se tem para hoje, no entanto, é que os condenados por participação no 8 de janeiro continuam sem perspectiva de perdão. Tanto o presidente da Câmara, o paraibano Hugo Motta (Republicanos), quanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), dizem que o assunto anistia não está na pauta dos brasileiros.
Tentativa de golpe
Dois anos após os ataques golpistas de 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou 371 pessoas das mais de duas mil investigadas por participar dos atentados aos prédios dos três Poderes. Além disso, outras 527 admitiram a prática de crimes menos graves e fizeram acordo com o Ministério Público Federal (MPF), totalizando 898 envolvidos responsabilizados até o momento. Os números constam do balanço divulgado nesta terça-feira (7) pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados ao caso.
A maioria dos condenados ― 225 ― teve suas ações classificadas como graves. As penas para esses réus variam de três anos a 17 anos e seis meses de prisão. Os crimes pelos quais foram condenados são cinco: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.
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