Executivo
Cássio diz não ter saudade da política e que é chamado de comunista pela direita e fascista pela esquerda
12/04/2025 09:18

Suetoni Souto Maior

Cássio Cunha Lima durante entrevista concedida a Arimatéa Souza. Foto: Divulgação

O advogado Cássio Cunha Lima (PSD) é um modelo pronto e acabado de político que viveu tudo na vida pública paraibana. Foi prefeito, governador e Senador. Esteve envolvido diretamente em praticamente todos os acontecimentos político paraibanos nas últimas três décadas, mas diz, agora, que não sente saudades da política em si e que não tem aspirações a novos mandatos. E, o que é mais curioso: alega ser de centro, mas que mesmo assim apanha dos dois lados: é chamado de comunista pela direita e de fascista pela esquerda na Paraíba e fora dela.

“Hoje eu apanho nas duas orelhas, algumas pessoas da direita acham que eu sou um comunista, algumas pessoas da esquerda acham que eu sou um fascista. Então não sinto saudade dessa militância, não sinto saudade do mandato. Essas minhas aspirações foram todas cumpridas. E por ter ganho qualidade de vida, hoje eu vivo melhor sob o aspecto pessoal”, ressaltou o ex-senador, durante entrevista ao jornalista Arimatéia Souza.

Insuspeito de qualquer militância de esquerda, mas também sem marcas ligadas à extrema-direita, Cássio reclama desta quadra mais radicalizada da história política do país. E neste ponto é preciso ser justo quando ele diz que esteve às vezes inclinado à centro-esquerda e às vezes à centro-direita. No primeiro caso, fez isso durante os dois primeiros governos de Lula, mas esteve do outro lado no governo Dilma e integrou o grupo que teve participação direta no impeachmet dela. Depois, viu o capital político do grupo ser sugado pelo bolsonarismo e flertou por alguns anos com Jair Bolsonaro (PL), mesmo sem juras claras de amor.

Com as malas prontas para o PSD, Cássio evita cravar o embarque em novos projetos políticos. Tem passado a missão para o filho, Pedro Cunha Lima, do mesmo partido, que teve desempenho surpreendente na eleição de 2022. Ele foi para o segundo turno na disputa com o governador João Azevêdo (PSB) e se mostrou competitivo naquele momento. A expectativa é a de que tente, novamente, a eleição. Apesar de tudo isso, não é coerente se analisar qualquer disputa voltada para 2026 sem colocar o decano da família Cunha Lima na conta.

Esta é uma novela que ainda está sendo escrita.

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