Executivo
Caso se filie ao PSD, João Azevêdo tem grandes chances de garantir palanque para Lula na Paraíba
27/01/2022 07:52

Suetoni Souto Maior

Lula e João Azevêdo durante evento do Consórcio Nordeste, no ano passado, em Natal. Foto: Divulgação

As discussões sobre a oferta de palanque para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm ganhado novos capítulos e candidatos todos os dias na Paraíba. O governador João Azevêdo (Cidadania) já colocou o dele à disposição do petista. O mesmo foi feito pela vice-governadora Lígia Feliciano (PDT), que adota postura flex em relação ao assunto – quer apoiar Lula e o candidato do partido dela, Ciro Gomes. Mas o movimento mais forte na direção do petista, porém, é feito pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que já esteve com o ex-presidente duas vezes, mesmo não tendo, ainda, lançado a sua pré-candidatura.

O caso de João Azevêdo é sensível. Apesar de liderar as pesquisas e ser “um bom partido” para o ex-presidente, ele enfrenta grande resistência no plano estadual, vinda da ala do partido mais próxima ao ex-governador Ricardo Coutinho. O ex-socialista foi o padrinho do governador nas eleições de 2018, mas eles romperam depois disso. No PT, o ex-gestor tem servido de barreira para a aproximação de João, que tenta vencer a resistência. E um caminho para isso será a necessária saída do Cidadania para um partido do arco de aliança do ex-presidente. Outro motivo para a saída é que o atual partido do governador deve formar federação com o PSDB, do governador de São Paulo, João Dória, virtual candidato à Presidência.

João Azevêdo tem convites do PSD e do PSB para se filiar. Uma dessas siglas, no plano nacional, deve abrigar o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. A tendência maior é a ida para o PSD de Gilberto Kassab, devido ao cada vez maior desentendimento entre PT e PSB na tentativa de formação de uma federação envolvendo os dois partidos. O entrave principal é justamente a disputa pelo governo de São Paulo. Os socialistas impõem que o PT desista da candidatura de Fernando Haddad ao governo para que o caminho fique livre para o ex-governador Márcio França. Acontece que Haddad lidera as pesquisas.

A filiação de Alckmin ao PSD abre espaço para que João, caso migre para o partido, tenha uma linha direta, por gravidade, com a candidatura petista. Daí, pode até ser que Lula apoie Veneziano, Lígia ou mesmo o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT), que tem surgido como reserva técnica. Não haverá palanque único. Isso já ocorreu em vários estados em eleições passadas. É bem verdade que tudo isso pode ocorrer também em relação ao PSB, que também pode abrigar Alckmin, mas a preço de hoje esse é um cenário cada vez mais distante. Na Paraíba, o caminho do governador para o PSD vem sendo pavimentado no ritmo de uma progressiva aproximação do ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, atual presidente do partido.

Seja qual for a opção, a ampulheta foi virada e o tempo para uma decisão está se esgotando.

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