Judiciário
‘Cara de Pau’: delegada e escrivão são presos por suposta cobrança para arquivar inquérito
22/04/2021 20:29
Suetoni Souto Maior
Gaeco e policial rodoviário registraram flagrante da entrega de dinheiro. Foto: Divulgação/MPPB

Uma delegada e um escrivão foram presos nesta quinta-feira (22), em Alagoa Grande, durante a deflagração da Operação Cara de Pau, coordenada pelo Ministério Público da Paraíba. Eles são acusados de terem cobrado dinheiro para arquivar um inquérito. A vítima seria um policial rodoviário federal, que denunciou o suposto crime ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e ao Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial (Ncap), órgãos do MPPB. Foram cumpridos dois mandados de prisão e três de busca e apreensão contra os suspeitos.

Os alvos da operação Cara de Pau foram a delegada Maria Solidade de Sousa e o escrivão Alexandre de Souza. Eles são investigados pela prática de concussão. O montante exigido teria sido de R$ 5 mil. A metade foi paga e, com autorização judicial, o Ncap e o Gaeco monitoraram o segundo pagamento, prendendo os acusados em flagrante. A abordagem foi feita no momento do recebimento do dinheiro.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo um na Delegacia de Polícia Civil de Alagoa Grande e dois nas residências dos acusados, em João Pessoa. Os investigados foram presos e conduzidos para a Central de Polícia em Guarabira, onde aguardarão a audiência de custódia. Os dois deverão usar tornozeleira eletrônica e vão cumprir prisão domiciliar.

O nome da operação “Cara de Pau”, segundo o Ministério Público, é uma alusão ao entendimento de que os dois foram atrevidos a ponto de cometerem um ato de concussão dentro de uma delegacia, achando que não responderiam pela conduta. O crime de concussão está previsto no Artigo 316 do Código Penal, como o ato de exigir vantagem indevida, na qualidade de servidor público.

O outro lado

O advogado Aécio Farias que defende a delegada presa nesta quinta é inocente. Ele fez duras críticas ao fato de não ter tido acesso à investigação e questionou a credibilidade do acusador, um policial rodoviário federal que cometera furto qualificado a uma cachaçaria de Alagoa Grande. No ano de 2016, a mesma delegada já havia sido alvo de investigações que culminaram com o afastamento de suas funções. Naquela época, a delegada foi acusada de desviar valores provenientes do pagamento de fianças, entretanto, voltou ao cargo após decisão judicial.

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