Executivo
Candidatos a ‘terceira via’ precisam reclamar menos de polarização e buscar votos
15/08/2021 13:32
Suetoni Souto Maior
Quase 8 mil eleitores estão aptos a votar no pleito deste domingo. Foto: Antônio Augusto/TSE

A polarização para as eleições do ano que vem é dada como certa na disputa da Presidência da República. De um lado, Jair Bolsonaro (sem partido) buscará a reeleição, tendo pela frente a forte oposição do ex-presidente Lula (PT). Orbitando os dois estão os governadores tucanos João Dória (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), só para citar os principais. Todos, sem exceção, têm feito discursos focados em críticas à polarização, quando deveriam estar mais preocupados em apresentar um projeto de país.

Tanto Bolsonaro quanto Lula têm base popular suficiente para chegar ao segundo turno das eleições no ano que vem. A história da campanha é que vai mostrar se um deles ficará de fora. O presidente vive atualmente o período de maior baixa na popularidade e tem investido em sucessivas cortinas de fumaça para manter a militância unida. Ele foca a turbinação do Bolsa Família como tábua de salvação para ganhar apoio nas classes menos favorecidas. Isso por conta do crescimento do bolsão de miseráveis estimulada pela pandemia e pelas políticas do governo.

Já Lula traz consigo o recall de eleições passadas. O Partido dos Trabalhadores teve peso significativo em todas as eleições ocorridas após a redemocratização e desta vez não deve ser diferente. Com os direitos políticos recuperados, o ex-presidente tem percorrido o país em busca de apoios para a disputa do ano que vem. Neste domingo (15), ele iniciou por Pernambuco um périplo pelos estados nordestinos para se reunir com lideranças políticas de oposição e governistas.

Eduardo Leite esteve na Paraíba neste fim de semana, fazendo o mesmo movimento que será encampado por João Dória em um futuro próximo. Os dois travam uma batalha interna, com mais chances de o gestor paulista sair vencedor nas prévias. Em Campina Grande, o gaúcho fez críticas à polarização prevista para as eleições do ano que vem, repetindo um mantra comum a outras lideranças sem votos para o projeto eleitoral. O processo de prévias no partido está em curso para a escolha do postulante da sigla.

O problema dos tucanos é parecido com o enfrentado por Ciro Gomes. Enquanto o pedetista tem dificuldade para crescer no campo da esquerda, Dória e Eduardo Leite enfrentam o mesmo problema na direita. Os três precisam convencer o eleitor do espectro político que povoam para depois avançar sobre o centro. Para isso, terão que superar Lula e Bolsonaro. Não é uma tarefa fácil, mas é o caminho para quem queira chegar ao segundo turno. Se não conseguirem furar a bolha, vão participar do processo eleitoral como espectadores.

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