Executivo
Campanha eleitoral: sujeira deixa as ruas e agora emporcalha as redes sociais
13/09/2024 15:45

Suetoni Souto Maior

Marcelo Casal/Agência Brasil

A denúncia do prefeito Cícero Lucena (PP) sobre a existência de milícias digitais atuando na capital é apenas mais um dejeto no esgoto em que se transformou as redes sociais no período de campanha. A constatação é que o lixo eleitoral que antes inundava as ruas deu lugar ao conteúdo malicioso que permeia as novas plataformas de comunicação. O caso mais recente foi o escancaramento da existência de milícias digitais atuando na tentativa de influenciar nas eleições de João Pessoa. Foram apresentadas pelos advogados do prefeito provas e indicativos sobre o potencial danoso das denúncias falsas.

O juiz Adilson Fabrício, da 1ª Zona Eleitoral de João Pessoa, determinou a retirada dos conteúdos do ar em redes sociais como YouTube e Facebook. A medida, no entanto, funciona apenas como um paliativo. Uma vez jogado na rede, todo esse conteúdo pode ser replicato em plataformas como WhatsApp e TicToc. É como uma Hidra, com a diferença de que não bastaria cortar as sete cabeças do animal para matá-lo, já que elas (as notícias falsas) podem alcançar muito mais pontos de divulgação. O problema não é pequeno e nem de fácil solução até mesmo para o Supremo Tribunal Federal (STF).

No caso de Cícero Lucena, o alcance estimado pela defesa do gestor é de 840 mil pessoas. Isso representa muito mais que o potencial de eleitores da capital paraibana. A investigação apontou duas pessoas que teriam sido contratadas para o trabalho sujo. Elas são Brenda Cruz Silva Monte, do Rio de Janeiro, e Rosicleia da Silva Feitosa, de São Paulo. O problema é que não se sabe, pelo menos não ainda, quem as contratou para o “serviço”. Tudo isso ainda será investigado e é prematuro apontar nomes. Mas como diz a tradição, se jabuti não sobe em árvore, alguém botou o bichinho lá.

O caso paraibano não é muito diferente do que ocorre no plano nacional desde a campanha de 2018. Se antigamente os panfletos apócrifos tiravam o sono dos candidatos, agora, com escala mundial, isso é feito na surdina nas redes sociais. Mas é bom lembrar que tanto lá atrás como agora, a prática é enquadrada como crime eleitoral e há punição severa prevista no ordenamento jurídico. O que temos de diferente no caso atual é que os criminosos digitais se acham inatingíveis, apesar de não existir crime perfeito e nem anonimato eterno, Um dia a casa cai.

É verdade que o tema é tão complexo e mereceu o inquérito no STF parece não ter fim. Mas para os criminosos de plantão, é sempre bom ficar atento.

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