Judiciário
Calvário: delação de Waldson embala movimentação de opositores e “aliados” de João Azevêdo
13/12/2021 07:00
Suetoni Souto Maior
Waldson de Souza deu detalhes sobre suposto envolvimento de João Azevêdo em esquema de desvios de dinheiro público. Foto: Divulgação/ALPB

O surgimento de informações sobre uma delação feita pelo ex-secretário estadual Waldson de Souza colocou pilha na corrida eleitoral paraibana. A esperança de um fato novo que abale a dianteira do governador João Azevêdo (Cidadania) na corrida eleitoral quebrou a letargia na oposição e entre aliados que já planejavam uma batida em retirada. Souza é considerado pessoa chave entre os alvos da operação Calvário, por ter comandado a Secretaria de Saúde e, de acordo com o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), ter participado de supostos desvios de dinheiro público.

Apenas um pequeno fragmento da proposta de colaboração premiada apresentada ao Ministério Público Federal foi revelada até o momento, mas já foi o suficiente para esquentar a disputa. Da oposição, o comunicador Nilvan Ferreira deixou o ostracismo e se apresentou como pré-candidato. O espaço era uma folha em branco desde que o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD), abriu mão da disputa. Do lado governista, a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT) entregou o cargo que tinha no primeiro escalão. Já o MDB do senador Veneziano Vital do Rêgo se reúne nos próximos dias para definir o que fazer.

Não existe muita certeza ainda do poder devastador da delação de Waldson em relação ao governador. Informações de bastidores falam na apresentação de documentos que acompanham as alegações de que nada se movia na gestão sem o conhecimento de João Azevêdo. Como o governador tem prerrogativa de foro por função, o processo corre no andar de cima, no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No curso da operação Calvário, houve cumprimento de mandados de busca e apreensão no Palácio da Redenção e na Granja Santana. A operação, apesar de correr em Brasília, é originada em ação do Ministério Público da Paraíba.

Os documentos divulgados até agora não são motivo de grande preocupação para o projeto de reeleição do governador. A coisa pode ficar feia caso exista muito mais, como o que é dito nos bastidores. Waldson era dos principais aliados do ex-governador Ricardo Coutinho (PT), apontado pelo Ministério Público da Paraíba como o líder da suposta organização criminosa. Em qualquer circunstância, não é estranho achar que ele sabe muito do que ocorreu. Os desdobramentos dos fatos fizeram com que Waldson acumulasse ódio do atual governador, disse uma fonte ao blog.

Os desdobramentos deste caso, por isso, embalam a esperança dos potenciais candidatos ao governo de que esse seja o fato novo que eles esperavam. Até o momento, João Azevêdo caminha para uma reeleição tranquila, dada a incapacidade dos adversários de se organizarem em torno de uma candidatura de oposição competitiva. Esse, vale ressaltar, não é um cenário superado, a menos que coisa muito grave venha por aí. A operação Calvário engoliu a boa avaliação política de Ricardo Coutinho, que hoje não é a sobra do que já foi. E pelo jeito, tem espaço para mais.

Operação Calvário

A Operação Calvário foi desencadeada nos primeiros meses de 2019. Durante suas 23 fases, foram contabilizadas 145 denúncias contra agentes públicos, empresários e empresas. Eles teriam sido responsáveis por algo em torno de R$ 373,9 milhões em desvios de recursos dos cofres do governo da Paraíba entre 2011 e 2018. Os contratos sob os quais teria havido os desvios foram nas áreas de saúde e educação. O ex-governador Ricardo Coutinho (PT) é apontado como o líder da suposta organização criminosa que teria atuado na administração pública com o fim de desviar recursos do erário.

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