Debate
“Briga de faca”: namoros com lulismo e bolsonarismo racham candidaturas de governo e da oposição na Paraíba
23/07/2025 12:06

Suetoni Souto Maior

A antecipação deflagrada da campanha política para o governo do Estado, prevista para o ano que vem, tem atiçado, também, uma disputa de bastidores com vantagens e incômodos entre aliados e adversários do governador João Azevêdo (PSB). Há saias justas para todos os lados quando o assunto diz respeito ao alinhamento das movimentações estaduais com a nacional, que gira em torno da dualidade Lula (PT) x Jair Bolsonaro (PL). Em teoria, a projeção do quadro nacional sobre a Paraíba seria simples, mas, na prática, a realidade é bem outra: sobram jogo de intriga e dificuldades de enquadramento.

Começando pela oposição, que tem episódios mais recentes, o fator Bolsonaro tem sido encarado como ponto de ruptura grave. O grupo estava sendo construído com alinhamento programático de centro. Por um lado, com o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) trazendo a imagem de Lula para a tentativa de renovação do deu mandato. O ex-deputado Pedro Cunha Lima (PSD), que sonha com o Palácio da Redenção, vinha com discurso nem Lula nem Bolsonaro e os dois ao mesmo tempo. Mesmo o deputado federal Romero Rodrigues (Podemos), com histórico “namoro” com o bolsonarismo, guardou a bandeira e virou vice-líder de Lula.

O ponto de ruputra e que veio exigir muita DR (discussão da relação) foi a postura do senador Efraim Filho, que, vitaminado pelo bolsonarismo, passou a se colocar como virtual representante de uma candidatura da extrema-direita no Estado. Ele cogitou até um convite a Pedro para ser vice, mesmo este último sendo considerado centro-esquerda demais pelos apoiadores do ex-presidente. O primeiro a ameaçar pular fora do barco foi Veneziano e depois houve queixa pública de Pedro, o que indica a possibilidade de duas candidaturas oposicionistas, sendo uma mais ao centro e outra migrando para a extrema-direita, com Efraim.

Entre os governistas, o quadro é relativamente mais tranquilo em relação ao alinhamento nacional, apesar de, até agora, apenas o prefeito Cícero Lucena (PP) e o presidente da Assembleia, Adriano Galdino (Republicanos), tenham buscado este espelhamento, entre os nomes para a disputa do governo. Lucas Ribeiro, por enquanto, tem sido o único a não dar declarações neste sentido. Nem pontuais como as de Cícero, que lembra o alinhamento de programas de João Pessoa com o governo federal, nem apaixonadas como as de Galdino, que se apresenta como candidato de Lula para a disputa.

De certo, tem João Azevêdo, que recebeu convite direto do presidente para representar suas cores na disputa do Senado. Da base governista, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), deve seguir o mesmo destino que for definido pelo filho, Hugo Motta (Republicanos), atual presidente da Câmara dos Deputados. Pela complexidade do cargo e do momento político, o parlamentar tem adotado a coluna do meio, ora cedendo e negando pedidos do governo, ora fazendo o mesmo em relação aos bolsonaristas.

Em linhas gerais, pela densidade eleitoral do presidente Lula no Estado, a escolha do nome dele é mais simples, por ter histórico de vitórias em praticamente todas as cidades (venceu em todas em 2022). Isso não quer dizer que o anúncio escancarado de apoio vindo de um nome do centro não vá afastar fiéis eleitores de Bolsonaro. Pelo lado da oposição, as cautelas são maiores em relação ao abraço no bolsonarismo. Ele é próprio para quem entra na disputa sem muito combustível, porque o postulante é capaz de conseguir o suficiente para seguir viagem, mas com teto encurtado pela rejeição maior ao ex-gestor nos pequenos municípios.

Esta realidade bolsonarista pode ter variações de acordo com o nome que vai sucedê-lo, já que são praticamente inexistentes as chances de ele disputar as eleições. O ex-presidente responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter tramado um golpe de estado. Dificilmente escapará da prisão neste ano. De qualquer forma, quem venha a sucedê-lo trará vantagens e dificuldades e elas serão compartilhadas com o candidato ao governo que abraçar a causa.

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