Judiciário
Bolsonaro diz à PF que estava sob efeito de remédios quando postou vídeo contestando as eleições
26/04/2023 14:24
Suetoni Souto Maior
Bolsonaro logo após derrota nas urnas, ao lado do ex-ministro Anderson Torres (Justiça), também investigado. Foto: Divulgação/ABr

Alvo do inquérito que investiga os autores intelectuais dos atos golpistas do dia 8 de janeiro, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) procurou, nesta quarta-feira (26), se desvincular do movimento que atacou e depredou as sedes dos Três Poderes. Durante depoimento na Polícia Federal, ele alegou ter postado o vídeo que contesta as eleições vencidas pelo presidente Lula (PT) por engano, enquanto estava hospitalizado. O conteúdo foi a causa de o ex-gestor ter sido incluído pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nas investigações. A oitiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito.

O vídeo foi postado no Facebook dois dias depois dos ataques dos bolsonaristas em Brasília, com pedido de intervenção militar, para grantir o retorno de Bolsonaro ao poder. De acrodo com o advogado Paulo Cunha Bueno, que acompanhou o depoimento, a postagem ocorreu quando o ex-presidente tentou transferir o conteúdo para sua conta no WhatsApp, onde assitiria posteriormente. “Por acaso, justamente nesse período, ele estava internado em um hospital em Orlando”, afirmou o advogado Paulo Cunha Bueno, que acompanhou o ex-presidente no depoimento.

“Foi feita de forma equivocada. Tanto que pouco depois, duas ou três horas depois, ele foi advertido e imediatamente retirou a postagem”, acrescentou Bueno, durante entrevista à imprensa, na saída da sede da Polícia Federal. A mesma tese foi sustentada pelo assessor de Bolsonaro, Fabio Wajngarten. “A postagem se deu de forma equivocada, poucos momentos após a saído do ex-presidente do hospital, quando estava sob efeito de remédios e ainda muito debilitado”, disse.

Wajngarten alegou ainda que a mecânica de postagem no Facebook se dá com meros dois cliques no ícone “compartilhar”. “A gente juntou ao depoimento o vídeo ilustrativo de como se dá a devida postagem. Ele sequer havia percebido que havia postado o referido conteúdo. Assim que alertado e tomou conhecimento da postagem, ele apagou o vídeo”, explicou.

O ex-presidente chegou a sede da Polícia Federal, por volta de 9h. Bolsonaro foi incluído no inquérito justamente por ter compartilhado, em 10 de janeiro, o vídeo que sugeriu, sem apresentar provas, que a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi fraudada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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