Quando eu era criança me acostumei a ouvir dos coleguinhas um “professora, malufaram minha caneta”, sempre que alguém se dava por falta do produto na hora de escrever na sala de aula. O verbo malufar era inspirado na nada boa fama do ex-governador, ex-prefeito de São Paulo e ex-deputado federal, Paulo Maluf. O que não esperava era ver as manchetes nacionais desta quarta-feira (19), dando conta da decolução de pelo menos parte do dinheiro roubado. Ele chegou a ser preso em 2017 pela Polícia Federal e teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara um ano depois.
A Eucatex, empresa da família Maluf, e o Banco BTG Pactual começaram a pagar o previsto no acordo firmado entre o Ministério Público e a Procuradoria-Geral da cidade de São Paulo para devolver US$ 44 milhões — cerca de R$ 220 milhões – aos cofres municipais. As empresas pagaram nesta quarta-feira (19) R$ 152,8 milhões. Em breve serão liberados outros dois valores que chegam a R$ 35 milhões. Com isso, a família Maluf perde mais de um terço da empresa Eucatex, passando as ações ao poder da BTG Pactual.
A devolução é resultado de uma ação civil pública contra o ex-prefeito Paulo Maluf por desvio de verbas das obras da Avenida Jornalista Roberto Marinho e Túnel Ayrton Senna, entre 1993 e 1998. De acordo com os promotores, Maluf e outros acusados desviaram mais de US$ 300 milhões de verbas municipais e enviaram os valores para contas nos Estados Unidos, Suíça, Inglaterra e Jersey, entre outros países. Vale lembrar que por muitos anos ele negou a acusação, alegando que o dinheiro achado em uma conta na Suíça não era dele. Meses depois, ele tentou reaver o recurso.
A Prefeitura já tinha recuperado US$ 63 milhões, que estavam em bancos internacionais. Atualmente, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) atingiu, em fevereiro deste ano, cerca de R$ 34,9 bilhões em caixa, segundo dados da Secretaria Municipal da Fazenda.
Lavagem de dinheiro
Maluf foi acusado pelo MPF de usar contas no exterior para lavar o dinheiro desviado. Ele usava contas bancárias em nome de empresas offshores (firmas usadas para investimentos no exterior) para enviar dinheiro desviado e reutilizar parte do dinheiro da compra de ações de empresas da família dele, a Eucatex.
A construtora responsável teria promovido um superfaturamento da obra e repassado o dinheiro a Paulo Maluf. A Prefeitura e o Ministério Público adicionaram ao processo diversos documentos como extratos bancários e cópias de cheques tentando mostrar o caminho do dinheiro, passando primeiro por Nova York e indo parar em Jersey.
Com informações do G1
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