Uma linha discursiva foi fortemente alardeada nos discursos de todos no Congresso Estadual do PSB, nesta segunda-feira (28). O evento marcou a posse do governador João Azevêdo no comando do PSB, mas teve como ingrediente, também, a tentativa de transparecer para fora do agrupamento que a base está unida. E quando se fala para fora, busca se dizer para a oposição. Tudo por causa da ciumeira que brotou da presença constantes de lideranças oposicionistas em parte das agendas encampadas pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), no processo de interiorização do nome dele.
Não é segredo para ninguém que Cícero é pré-candidato ao governo do Estado no ano que vem. É um movimento natural de quem foi eleito, em João Pessoa, com quase 70% dos votos no segundo turno. Ele parte da Região Metropolitana com um nome forte, com aliados eleitos nas principais cidades e busca, agora, densidade eleitoral nos municípios onde João Azevêdo consagrou sua vitória no pleito de 2022. Mas lógico que este processo não é simples. Tem o caso de Lucas Ribeiro, também do PP, que ganhará força, caso assuma o governo a partir de abril, com a saída de João para a disputa do Senado.
Então, o que era bonitinho no papel ganha status prévio de potencial rompimento. Um cenário que tem sido alerdeado pela oposição. Com suposições de que Cícero poderia ser candidato pela oposição, caso não encontre espaço na base governista. Um cenário descartado pelo prefeito de João Pessoa. Em entrevista ao programa Frente a Frente, do jornalista Luís Torres (Arapuan), nesta segunda, o gestor disse que o histórico dele não autoriza traições. Ele será candidato com o apoio de João Azevêdo ou não será.
É fácil dar fé pública às palavras quando se analisa o passado. Ele não foi candidato em 2002, a perdido de Ronaldo Cunha Lima, para dar espaço a Cássio. Depois, em 2010, não foi candidato ao governo porque Cássio preferiu apoiar o antigo desafeto, Ricardo Coutinho, hoje no PT. Em 2014, não foi candidato à reeleição para o Senado porque Cássio preferiu o hoje deputado federal Ruy Carneiro (Podemos), para evirar uma chapa toda tucana. Em nenhuma das oportunidades, ele fez birra ou reclamações públicas, dizem aliados. Silenciou e saiu de cena.
Por conta disso, todos os discursos seguiram na linha de unidade. Uma unidade que não será facilmente mantida, visto o natural conflito de interesses. Por ora, o que se tem para hoje é a garantia do prefeito de que se houver uma eventual traição, o agente dela não será ele.
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