A rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), após derrota no Senado, terá resposta política. Informações de bastidores indicam que o presidente Lula (PT) e aliados começaram a mapear as traições que culminaram na derrota. No foco principal estão aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e parlamentares do MDB e PSD.
Da Paraíba, apenas o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) garantiu, de forma antecipada, voto no indicado de Lula. Efraim Filho (PL), ligado ao bolsonarismo, se posicionou contra. Já Daniella Ribeiro (PP), muito próxima a Alcolumbre, manteve o sigilo sobre o voto mesmo após a derrota de Messias. A decisão gerou revolta entre os petistas e pode ter consequência nos Estados.
Há um indicativo de que os cargos indicados com aval de Alcolumbre sejam exonerados do governo. Da Paraíba, isso implicaria nas demissões dos ministros Frederico Siqueira Filho (Comunicações) e Gustavo Feliciano (Turismo). Este último, inclusive, tem reunião nesta quinta-feira (30), às 10h, com o presidente Lula.
Pesa a favor de Feliciano o fato de ele ter histórico de defesa do governo e ser filho de Damião Feliciano (União Brasil), um fiel aliado do petista. Já Frederico Siqueira, que é um pernambucano radicado na Paraíba, tem relação direta com Efraim Filho, que o indicou para Telebras em 2023. Pode sobrar até para o presidente da Caixa Econômica, Carlos Vieira, indicado pelo PP.
Aliados do presidente também apostam na exoneração Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional). Segundo participantes da reunião ocorrida após a derrota de Messias, Lula mostrava serenidade, enquanto buscava confortar o advogado-geral da União.
O AGU teve 34 votos a favor da indicação (sete a menos que o necessário) e 42 votos contrários. Essa foi a primeira rejeição a um indicado do presidente da República ao STF desde 1894. Antes de proclamar o resultado da votação, Alcolumbre sussurrou no ouvido de Jaques Wagner o placar da derrota, antecipando que Messias perderia por oito votos.
Entre o fim da votação no Senado e convocação da reunião entre os membros do governo, Lula e Messias se falaram por telefone. Além da preocupação com o estado emocional de Messias, aliados do presidente contam que ele costuma repetir que “não se deve tomar decisões a 39 graus de febre”.
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