O deputado Cabo Gilberto (PSL) gerou polêmica recentemente por ter entrado no plenário da Assembleia Legislativa da Paraíba sem tomar nenhuma das doses da vacina contra a Covid-19. Por causa disso, as sessões presenciais foram suspensas. Até aí, só notícia velha. O parlamentar buscou um posto imunização nesta quarta-feira (13) e tomou a primeira dose. Novamente, nada de novo. Mas o que pouca gente sabe é que o parlamentar tomou justamente a vacina do Instituto Butantan, a Coronavac. Sim, mas qual o problema? Muitos dirão. O problema é que o imunizante chinês é justamente o que ele prometeu não tomar de jeito nenhum.
No primeiro semestre, quando a imunização estava no começo, o Cabo Gilberto revelou ao blog que não tomaria a Coronavac de jeito nenhum. Naquele momento, a vacina chinesa enfrentava grande oposição da militância próxima ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Nesta quarta-feira, o Cabo Gilberto mudou de ideia. Ele afirmou que tomou o imunizante porque era o que estava disponível no ponto de vacinação e que fez isso para “afastar de vez a discussão ideológica”. Neste caso, o parlamentar ressalta, o fato de o intervalo entre as doses ser menor (28 dias) encurta o período para que ele esteja totalmente imunizado.
O estar totalmente imunizado foi estabelecido pelos pares do deputado como condição para que as sessões presenciais no plenário da Assembleia voltassem a ser realizadas. As sessões presencviais foram retomadas no dia 5 deste mês, após a aprovação pelos deputados de um projeto de resolução que impedia a entrada, na Casa, de pessoas não vacinadas. O Cabo Gilberto votou contra e foi para a sessão presencial no dia do retorno. Ele apresentou um laudo de teste rápido de Covid que dava negativo para a doença. Os colegas criticaram a atitude e, após uma questão de ordem levantada por Hervázio Bezerra (PSB) suspenderam as sessões.
O ato contínuo disso é que as sessões voltaram a ser realizadas no formato remoto, com todos os deputados em suas casas. O Cabo Gilberto, diante da questão, alega que não havia no decreto clareza sobre a obrigatoriedade de ele se vacinar. Diz que a lei fala em servidor, mas ele entende que como deputado não se enquadra na descrição, por ter mandato eletivo. “Sou formado em Direito, tinha que achar uma brecha”, relatou. O deputado acusa os colegas que votaram pela suspensão das sessões presenciais de não quererem trabalhar presencialmente.
Com a vacina no ombro, a tendência é que em um mês e meio, as sessões voltem a ser presenciais, acredita o parlamentar.
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