Executivo
Após pressão do setor produtivo, Bolsonaro modera discurso e fala em ato pró-liberdade de expressão
30/08/2021 14:32
Suetoni Souto Maior
Jair Bolsonaro (C) trabalha para se viabilizar eleitoralmente para a reeleição. Foto Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua militância amenizaram o tom em relação ao 7 de Setembro. De declarações que apontavam para a tentativa de uma ruptura democrática, as declarações agora seguem no sentido da garantia da “liberdade de expressão” e da defesa do voto impresso. A redução da fervura ocorre, principalmente, depois de grupos empresariais e banqueiros iniciarem movimento público em defesa da estabilidade política do país. A sinalização em defesa da democracia veio, também, das fileiras das Forças Armadas.

Durante entrevista a uma rádio de Goiás, nesta segunda-feira (30), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez novas críticas aos ministros do Supremo, mas sem falar mais em “agir fora das quatro linhas da Constituição”. As críticas foram direcionadas aos ministros Alexandre de Moraes e Luiz Roberto Barroso, ambos do Supremo Tribunal Federal. O primeiro conduz o inquérito sobre os atos antidemocráticos e o segundo comanda o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que se coloca contra o voto impresso.

“Essa [manifestação] agora, a grande pauta vai ser a liberdade de expressão. Não pode uma pessoa do STF e uma do TSE se arvorarem agora como as donas do mundo e que tudo decidem no tocante a esse ponto, liberdade de expressão”, disse Bolsonaro, durante a entrevista, de acordo com o registrado pela Folha de São Paulo. O tom, nesta segunda-feira, foi bem mais brando que o adotado nos últimos dias e o mesmo é visto em relação à militância nas redes sociais.

O verniz “democrático” ocorre na esteira do movimento gestado pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que congregam os maiores empresários e banqueiros do país. Os grupos querem formar uma frente ampla em defesa da democracia. O entendimento é o de que a instabilidade tem prejudicado a economia e retardado a retomada do crescimento. Nas redes sociais, os apelos ao uso do 7 de Setembro para uma ruptura democrática também vem perdendo força.

Mais recentemente, no Dia do Soldado (25), o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, afirmou que os militares devem inspirar paz, liberdade e democracia. A declaração foi dada diante do presidente da República, Jair Bolsonaro, que estava acompanhado dos presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

A moderação ocorre no momento mais crítico de tensionamento entre os poderes. O presidente chegou a pedir o impeachment de Alexandre de Moraes, o que foi rejeitado pelo Senado. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, também desmarcou reunião interpoderes que teria a participação de Jair Bolsonaro. Resta saber, agora, qual será o clima na semana que vem, durante o ato pelo 7 de Setembro. O da oposição está marcado para o fim de semana subsequente, o 12 de setembro.

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