Legislativo
Após jantar com Lula, Hugo Motta embrulha anistia e põe na geladeira
24/04/2025 18:02

Suetoni Souto Maior

Lula e Hugo Motta durante evento em Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu pôr na geladeira a proposta de anistia para os acusados de participação no quebra-quebra nas sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro. A decisão foi tomada depois do jantar com o presidente Lula (PT) e os líderes de partidos da base. O encontro ocorreu na residência oficial do presidente da Câmara, nesta quarta-feira (24). Na oportunidade, o presidente expôs que, na visão dele, a anistia proposta não deveria estar na pauta do Legislativo, diante de prioridades como as propostas do teto da isenção do imposto de renda e da segurança pública.

Para a decisão dos parlamentares, três fatores devem ser considerados: a entrada de Lula na discussão, o fantasma de um conflito aberto com o Supremo Tribunal Federal e o fato de a população, segundo pesquisas de opinião, não ver com bons olhos o perdão aos golpistas. Na reunião, o presidente foi direto e disse que anistiar golpista não é prioridade. O foco, segundo ele, deve ser a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a PEC da Segurança.

Lula ainda provocou: como anistiar quem sequer foi condenado? Referia-se, claro, a Jair Bolsonaro (PL), que ainda enfrenta o vai-não-vai do cerco jurídico. A fala do petista caiu como um torpedo no centro da articulação bolsonarista.

Terminada a sobremesa e com as palavras de Lula ainda ecoando, segundo o colunista de O Globo, Lauro Jardim, Motta puxou os líderes aliados para uma conversa paralela. Com um detalhe importante: o líder do PL, Sóstenes Cavalcante, não estava presente. Como oposição, ficou de fora do convite – o que permitiu um debate mais livre.

O clima, relataram líderes, era de que aprovar isso agora seria cutucar onça com vara curta – no caso, o Supremo Tribunal Federal. A Corte está no olho do furacão julgando os réus dos atos golpistas e não veria com bons olhos uma tentativa legislativa de passar a borracha nos crimes. Além disso, a percepção é de que seria um erro político grave atender exclusivamente ao núcleo bolsonarista, ignorando o sentimento de boa parte da sociedade.

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