Executivo
Após ganhar o PSD, federação de PP com União Brasil pode jogar água no chopp da oposição
21/03/2025 08:15

Suetoni Souto Maior

Aguinaldo e Efraim estão em grupos antagônicos há várias eleições na Paraíba. Foto: Divulgação/Montagem

Não faz muito, a conquista do PSD pelo grupo Cunha Lima encheu de euforia as lideranças da oposição, na Paraíba. Afinal, a chegada de um grande partido, tirado da base governista, abriria a perspectiva de o grupo conquistar maior tempo de TV na disputa estadual do ano que vem. Este era o cenário. Só que como o xadrez político pressupõe jogadas dos dois lados, este arquétipo futuro pode não se consolidar. Isso por causa da federação PP/União Brasil em construção no Congresso. Caso ela seja concretizada, lideranças hoje antagônicas dos dois partidos, na Paraíba, vão ter que se entender. O que pode ser pior para a oposição.

Me explico. O PP é um dos protagonistas, senão o maior protagonista, para as eleições do ano que vem na base governista. Da sigla podem sair o vice-governador Lucas Ribeiro (que poderá estar no posto de titular em 2026) ou o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, para a disputa do Palácio da Redenção. Já do União Brasil, o senador Efraim Filho trabalha com a perspectiva de ser ele ou alguém do clã Cunha Lima (Cássio ou Pedro) o postulante a encabeçar a chapa oposicionista. Só que, com a federação, eles não poderão estar com um pé em cada canoa. Alguém vai ter que ceder.

Daí, se for mantida a tradição neste tipo de negociação, quem roda é Efraim Filho. Isso por causa do poderio do PP no Estado. A sigla tem dois deputados federais (Aguinaldo Ribeiro e Mersinho Lucena) e poderá abrigar a senadora Daniella Ribeiro (de saída do PSD). Ainda abriga o prefeito Cícero Lucena e 17 outros gestores municipais. Por outro lado, o União Brasil tem Efraim e um deputado federal (Damião Feliciano), mas este último é aliado do governador João Azevêdo. Abriga ainda o prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, e outros 23 gestores municipais. É muito? É, mas é menos.

Em entrevista recente, o senador Efraim Filho disse não ver como impossível uma composição com as lideranças do PP para 2026. E é verdade, não é impossível. Mas podemos dizer com grande segurança que este omelete não será feito sem quebrar muitos ovos. Isso porque alguém precisará abrir mão do seu projeto político, a menos que um dos grupos seja silenciado e aceite sê-lo. Outro caminho é mudar de partido. O prefeito Cícero Lucena não tem convivência possível com o grupo Cunha Lima e Efraim não ficaria confortável na ala governista. Daí, é fácil imaginar o desfecho.

Para além disso, nacionalmente, PP e União Brasil tendem a se importar pouco com a questão paroquial, se ela for pontual. O que salta aos olhos dos dois partidos é o tamanho da bancada que será criada: ela terá 106 deputados e será a maior da Câmara dos Deputados. Para que isso se concretize, falta agora o União Brasil deliberar internamente se quer seguir o mesmo caminho. Ou seja, a confusão está na porta.

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