Executivo
Após aumento do IOF, Motta pede explicações e ameaça cortar as asas
29/05/2025 13:23

Beatriz Souto Maior

Foto: José Cruz/ABr

O governo Lula recebeu um puxão de orelha firme do Congresso Nacional. Após o decreto que elevou as alíquotas do IOF — imposto que, segundo o Ministério da Fazenda, só atingiria os mais ricos — os presidentes da Câmara e do Senado deixaram claro que não vão aceitar ser apenas plateia na condução da política fiscal.

O recado veio com prazo: dez dias. Esse foi o tempo dado pela cúpula do Congresso para que a equipe econômica apresente um plano alternativo, mais consistente e, principalmente, com respaldo político, ao aumento do IOF. Caso contrário, o governo pode ver a medida ser derrubada por um Projeto de Decreto Legislativo.

Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, foi ao ponto: “Chega de gambiarras tributárias. O que queremos é uma proposta estruturada, que respeite o Parlamento e que não pese sobre o setor produtivo”, disparou nas redes sociais.

No Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) foi ainda mais duro. Disse em plenário que o decreto do governo “usurpa prerrogativas do Legislativo”. O termo, pesado, não foi usado à toa. Há semanas, senadores vêm reclamando do estilo centralizador da equipe econômica, sobretudo do ministro Fernando Haddad, que tenta equilibrar o orçamento cortando de um lado e aumentando imposto do outro, sem combinar com os russos.

A irritação dos parlamentares se soma à pressão de setores econômicos, como os bancos, que se movimentaram rapidamente contra a medida. De um lado, o governo tenta fechar o rombo fiscal. Do outro, o Congresso cobra protagonismo e responsabilidade compartilhada.

Na noite de quarta (29), Haddad se reuniu com Alcolumbre, Motta, Gleisi Hoffmann e líderes da base aliada para tentar apagar o incêndio. Saiu da conversa com a tarefa de encontrar uma solução técnica que evite a crise política — e financeira.

O ministro avisou que, sem os R$ 20 bilhões esperados com o novo IOF, o governo terá de contingenciar ainda mais. Já bloqueou R$ 31,3 bilhões e diz que a máquina pública vai travar se tiver de cortar mais.

Nos bastidores, a avaliação é que o governo errou na forma — e no cálculo político. Em tempos de ânimos exaltados no Congresso, não se mexe em tributo sem aviso prévio, ainda mais com a faca no pescoço das contas públicas.

Enquanto isso, o relógio corre. Em dez dias, Haddad terá que provar que consegue fazer política — e contas — ao mesmo tempo. Se não conseguir, o Congresso está pronto para puxar o freio de mão.

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