Há ainda muitas dúvidas envolvendo o retorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao país. Apesar disso, o partido dele tem planos para que o ex-gestor percorra o país e espera que ele consiga reforçar a sigla para as eleições de 2024. A meta de Waldemar da Costa Neto, dirigente da sigla, é eleger 1,5 mil prefeitos. Atualmente, a agremiação comanda apenas 352 cidades brasileiras, sendo Maceió, em Alagoas, a única capital. O capitão reformado do Exército viajou para os Estados Unidos a dois dias do fim do mandato e foi muito criticado pela militância, justamente por isso.
Até que se concretize esse desejo de transformar o ex-presidente em cabo eleitoral, alguns problemas se impõe contra o projeto. O principal deles é o fantasmas de potenciais condenações que venham a pesar contra Bolsonaro. Desde janeiro de 2019, quando assumiu a Presidência da República, o ex-gestor foi alvo de 1 processo judicial a cada 6 dias. São 160 processos, em tribunais de 17 Estados e do Distrito Federal, ao longo de 2 anos e 8 meses de governo. Todos devem descer para o primeiro grau, já que ele perdeu o foro privilegiado.
Há ainda contra Bolsonaro o risco de se tornar inelegível, em decorrência de denúncias na seara eleitoral. O gestor já pediu para não ser representado mais em ações pela Advocacia-Geral da União (AGU). Ele também terá que dar respostas a pelo menos outros quatro inquéritos:
São eles:
- Sobre a divulgação de notícias falsas sobre a vacina contra covid-19 (INQ 4888);
- Sobre o vazamento de dados sigilosos de ataque ao TSE (INQ 4878);
- Inquérito das fake news, sobre ataques e notícias falsas contra ministros do STF (INQ 4781);
- Sobre interferência na Polícia Federal (INQ 4831).
Apesar de tudo isso, informações apuradas pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, dizem que Bolsonaro tem melhorado o astral e já demonstra disposição de percorrer o país. O plano para ele é criar as condições para que sejam feitas recepções e mobilizações para receber o ex-mandatário, nos moldes do que ocorria quando ele ainda era presidente. Há o receio, no entanto, de como estará o ânimo dos apoiadores. Muitos deles se sentiram traídos pelo ex-gestor após o fim do mandato. São as pessoas que se postaram em frente aos quatéis do Exército pedindo golpe militar, por não aceitarem a vitória do presidente Lula (PT).
Há ainda celeuma sobre como ficarão os salários e os outros benefícios prometidos pelo partido a Bolsonaro. Além de remuneração mensal de quase R$ 40 mil, o partido tinha prometido o aluguel de uma mansão em Brasília. Os planos foram mudados mais recentemente, com a substituição do imóvel por um salário para Michelle Bolsonaro. A proposta é do pagamento mensal de R$ 33 mil para ela. Mesmo assim, tudo isso só vai sair do papel se as contas do partido forem desbloqueadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs multa de quase R$ 23 milhões contra a sigla por ter proposto ação que questionava as eleições consideradas protelatórias pelo magistrado. O pagamento ao ex-presidente só ocorrerá se ele retornar ao país e se as contas da sigla forem desbloqueadas.
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