O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) resolveu tirar a poeira da relação com o Congresso. Numa quarta-feira (24) de conversas longas e gestos calculados, ele reuniu 16 deputados da base aliada para um jantar na casa do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O encontro, nos moldes do que já havia feito Davi Alcolumbre (União-AP) com os senadores, serviu para afinar discursos, aparar arestas e, claro, fazer política — da velha, com comida na mesa e promessas no ar, revelou nesta quinta reportagem da Folha de São Paulo.
Lula fez questão de deixar claro que está firme, forte e “candidatíssimo” à reeleição em 2026. O recado foi direto aos parlamentares e também aos que andam duvidando da disposição do petista de encarar mais uma campanha aos 80 anos. Segundo relatos, o presidente falou por mais de meia hora. Lembrou feitos do governo, pincelou memórias pessoais e jogou luz sobre os temas sociais que sempre embalaram seus discursos.
Se no início do mandato Lula evitava o corpo a corpo com deputados, agora parece ter entendido que o jogo exige mais proximidade. Admitiu isso com todas as letras: disse que o Executivo depende mais do Congresso do que o contrário. É a realpolitik batendo na porta do Planalto.
Durante o jantar, cada deputado teve espaço para falar. Alguns apenas se apresentaram. Outros aproveitaram para elogiar a iniciativa do diálogo — sintoma de que a escassez de encontros vinha incomodando. Mas houve também quem endurecesse o tom, como Hugo Motta, que defendeu a autonomia da Câmara para mexer nos projetos do governo. Ainda assim, fez questão de equilibrar a crítica com afagos à “harmonia entre os Poderes”.
Quem também marcou presença foi o líder do União Brasil, Pedro Lucas (MA). Recusou um ministério, mas manteve o trânsito livre no Planalto. Horas antes, participou de reunião com Lula e Alcolumbre para acertar o nome de Frederico de Siqueira Filho na chefia da Telebras — um agrado ao partido que continua querendo mais espaço.
O clima, segundo os presentes, foi positivo. Um deputado mais reticente com o governo disse que o jantar teve “cara de recomeço”. Lula parece ter gostado tanto do formato que já anunciou o próximo passo: vai receber os parlamentares com churrasco e pelada na Granja do Torto. A estratégia é clara — política se faz também com carne assando e bola rolando.
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