O deputado federal paraibano Hugo Motta (Republicanos) virou alvo preferencial dos bolsonaristas em manifestações públicas e nas redes sociais. O motivo é um só: enquanto presidente da Câmara dos Deputados, ele tem dito aos colegas que não há clima na Casa para votar a anistia aos presos do 8 de janeiro, condenados por tentativa de golpe de estado. O tema é prioridade na agenda bolsonarista, visando ampliar o benefício também para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-mandatário virou réu em processo em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de ter liderado a tentativa de quebra do regime democrático.
A estratégia de pressão foi ampliada neste domingo (6), quando houve um protesto com cerca de 45 mil manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo. Apesar de o ato ter reunido menos gente que uma partida do Campeonato Brasileiro, este foi o maior já realizado com o objetivo de buscar a anistia. Sete governadores estiveram no protesto. Estiveram lá os de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); de Goiás, Ronaldo Caiado (União); de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); do Amazonas, Wilson Lima (União); do Paraná, Ratinho Jr. (PSD) e de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil).
Nos discursos, as cobranças recaíram sobre Hugo Motta. O principal escalado para fazer o ataque foi o pastor Silas Malafaia, também como uma forma de poupar os demais parlamentares presentes de desgaste com o presidente da Câmara. “Sr. presidente da Câmara, Hugo Motta, disse ‘eu sou arbitro, juiz’. Só se for juiz iníquo, porque ele pediu para os líderes partidários para não assinar urgência do projeto de anistia”, disse Malafaia em cima do carro de som. “Espero, Bolsonaro, se Hugo Motta estiver assistindo isso aqui, que ele mude, porque você, Hugo Motta, está envergonhando o honrado povo da Paraíba”, completou.
Após a última reunião de líderes de quinta-feira, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que Motta teria pedido aos líderes para não assinar o requerimento de urgência, o que fez com que o partido tivesse de colher no varejo as assinaturas para garantir que o projeto vá direto para o plenário. Hoje, segundo disse no ato, há 165 votos de apoio dos 257 necessários. No carro de som, o líder do PL não mencionou o nome de Motta diretamente, mas deu o sinal para que apoiadores aumentassem a pressão sobre deputados que ainda não tenham se posicionado, ao prometer.
E essa pressão tem crescido também nas redes sociais. Por estratégia, as postagens de Hugo Motta no Instagram passaram a ser alvo de comentários duros feitos pelos bolsonaristas. Independente do tema discutido, as cobranças acabam girando em torno da anistia para os envolvidos na tentativa de golpe apontada pela Procuradoria-Geral da República.
Conterrâneo de Motta, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou as redes sociais para ironizar a pressão e a manifestação. “É uma tática de desespero. Se acham que Hugo vai pautar alguma coisa essa semana depois de tentarem emparedar ele, estão errados”, disse o líder do PT na Câmara.
Outros líderes da Câmara dos Deputados dizem, reservadamente, ainda não ver clima para avanço do projeto de lei que propõe anistia aos presos do 8 de janeiro, mesmo diante da pressão feita neste domingo (6) sobre o presidente da Casa, Hugo Motta, em ato de Jair Bolsonaro (PL).
Tentativa de golpe
Dois anos após os ataques golpistas de 8 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou 371 pessoas das mais de duas mil investigadas por participar dos atentados aos prédios dos três Poderes. Além disso, outras 527 admitiram a prática de crimes menos graves e fizeram acordo com o Ministério Público Federal (MPF), totalizando 898 envolvidos responsabilizados até o momento. Os números constam do balanço divulgado nesta terça-feira (7) pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados ao caso.
A maioria dos condenados ― 225 ― teve suas ações classificadas como graves. As penas para esses réus variam de três anos a 17 anos e seis meses de prisão. Os crimes pelos quais foram condenados são cinco: tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa e deterioração de patrimônio público.
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