Executivo
Alianças e rompimentos na Paraíba mostram que a política é mesmo a arte de unir inimigos e separar irmãos
21/02/2022 15:55
Suetoni Souto Maior
Luciano Cartaxo, Veneziano, Ricardo e Luiz Couto fazem "V" de Veneziano e "L" de Lula. Foto: Divulgação

A história das alianças e rompimentos na Paraíba comprova que a política é mesmo a arte de unir inimigos e separar irmãos. A dimensão disso foi vista durante a manhã desta segunda-feira (21), com o anúncio da aliança entre PT e MDB para a disputa das eleições deste ano. O palanque, no Sindicato dos Bancários, em João Pessoa, trazia como estrelas Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Ricardo Coutinho (PT), pré-candidatos, respectivamente, ao governo e ao Senado. Os dois colecionam episódios de alinhamentos e rompimentos, mas seguem agora com um objetivo eleitoral comum.

Os discursos dos pré-candidatos e seus aliados seguiram na linha da contraposição a dois nomes básicos, sendo um na esquerda e outro na direita. Da esquerda, as críticas recaíram sobre o governador João Azevêdo, que faz caminho para trocar o Cidadania pelo PSB. Tanto Ricardo quanto Veneziano falaram em novamente colocar o governo no rumo do desenvolvimento. Os dois romperam com o ex-governador em momentos distintos. Coutinho fez isso ainda em 2019. Já Veneziano foi se afastando aos poucos, do ano passado para cá. Os dois foram eleitos no mesmo palanque, em 2018, tendo o ex-governador como fiador. À direita, a crítica teve como endereço o presidente Jair Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula.

O alinhamento atual entre PT e MDB foi construído dentro de uma série de diálogos em que o ex-governador ofereceu, em todas as conversas, a possibilidade de palanque único para o ex-presidente Lula. Os petistas nutriam gratidão por Ricardo, por causa do apoio incondicional dele à ex-presidente Dilma Rousseff, vítima de um impeachment em 2016 e, depois, pela oposição à prisão do ex-presidente. Já Veneziano era visto com mais reserva, por causa do voto pró-impedimento da ex-presidente. Essa mágoa nutrida pelos petistas, aos poucos, foi sendo diluída e deixou de existir.

O próximo passo da aliança, agora, será a definição do nome para vice na chapa e as suplências para o Senado. É bom lembrar que Ricardo Coutinho vai para a disputa ainda com dificuldades impostas pela legislação eleitoral. Ele foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e precisa de um efeito suspensivo para entrar na disputa. O ex-governador já entrou com recurso tentando reverter o status. Decisões do tipo não são facilmente conseguidas, mas há quem diga existir precedentes e citam o caso do ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella.

Outro que esteve no evento de lançamento da candidatura foi o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT). O ex-gestor pretende disputar vaga na Assembleia Legislativa e há especulações de que a mulher dele, Maísa Cartaxo, pode figurar como candidata a vice na chapa. O grupo agora espera conseguir o palanque único para o ex-presidente Lula. A concorrência, para isso, é com o governador João Azevêdo, um ex-aliado que agora se transformou em desafeto dos dois.

Quer receber todas as notícias do blog através do WhatsApp? Clique no link abaixo e cadastre-se: https://abre.ai/suetoni