Executivo
Aguinaldo apresentou a porta de saída do PP para Cícero, mas isso ainda não ameaça a unidade governista
30/07/2025 08:06

Suetoni Souto Maior

Aguinaldo Ribeiro, Mersinho Lucena, Lucas Ribeiro e Cícero Lucena durante evento no interior. Foto: Reprodução/Instagram

Duas entrevistas dadas por representantes da família Ribeiro, nesta semana, sinalizam a impossibilidade da permanência do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, no PP. Os recados foram mandados pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro e pelo pai dele, o ex-deputado Enivaldo Ribeiro. Em linhas gerais, eles cobraram gestos do mandatário pessoense em relação ao vice-governador Lucas Ribeiro. O entendimento é o de que assumindo o governo, em abril do ano que vem, o hoje vice tem primazia na disputa da reeleição com apoio governista, colocando o projeto de Cícero em segundo plano.

Acontece que este cenário tem se tornado cada vez mais turvo, com os movimentos consistentes do prefeito Cícero Lucena e do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino (Republicanos). Ambos têm ido aos municípios como pré-candidatos e têm despertado a atenção e o interesse da parte da oposição que se classifica como não bolsonarista. De forma que tem se tornado cada vez mais sem sentido o entendimento de que, mais na frente, Cícero Lucena aceitaria abrir mão de uma candidatura apenas pelo entendimento de que “seria natural” uma postulação de Lucas.

A saída de Cícero do PP, por isso, cumpre o papel de freio de arrumação. É pré-candidato? Sim. Pode continuar a sê-lo? Sim, também, mas longe do quintal dos Ribeiros. O que não impede que o movimento dentro da base aliada tenha continuidade e abrindo espaço para que, mais na frente, a escolha pelo nome mais forte seja feita. Isso pode ocorrer até o período das convenções, em meados do ano que vem. Para isso, basta que o governador João Azevêdo (PSB) assuma as rédeas do processo e comande as articulações como o maestro necessário para o momento.

A realização de pesquisas pode ser o caminho para a escolha. Não sendo assim, os riscos de ruptura aumentam de forma perigosa. Basta lembrar que, em outro partido, o prefeito fica livre, também, para conversar com a oposição. O único espaço vetado do bloco adversário é o que o senador Efraim Filho (União Brasil) escolheu para trafegar. Ele recebeu o apoio da ala bolsonarista, o que também tem dificultado a interlocução com antigos aliados como Pedro Cunha Lima (PSD) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). O alinhamento com estes dois últimos, vale ressaltar, não deixa de ser um caminho. Mas esta já é outra história.

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