Quem nunca? A pergunta vale para qualquer deputado da base governista que, em ano pré-eleitoral, se veja atropelado por secretários mais ambiciosos. Desta vez, quem levou o desabafo ao microfone foi João Gonçalves (PSB), incomodado com o que considera o uso indevido da máquina pública por auxiliares do governo já em ritmo de campanha para 2026. Faltaram nomes e a tipificação do “crime eleitoral”, mas o recado foi dado — e teve endereço certo.
A fala teve tom de denúncia, mas soou mais como desabafo. Gonçalves mostrou-se incomodado, com alguma razão, por temer perder espaço nas bases municipais para secretários em franca movimentação política. “Auxiliares do governo que serão candidatos estão usando a máquina. Isso é crime eleitoral”, declarou, prometendo reunir provas para levar o caso ao Ministério Público. A questão é que essa prática está longe de ser nova — e também não parece perto de acabar. Pelo menos até que se apresentem provas concretas de alguma ilegalidade.
Apesar das críticas, o deputado fez questão de preservar o governador João Azevêdo. Reiterou sua confiança no chefe do Executivo e garantiu que ele não compactua com esse tipo de prática. “Fui testemunha do governador em dois processos. Ele nunca usou a máquina. Mas agora tem gente no governo usando cargo para benefício próprio”, afirmou.
No fundo, o discurso escancara uma realidade já naturalizada: a disputa por visibilidade dentro da própria base, algo que se intensifica a cada ciclo eleitoral. O desabafo de Gonçalves pode ser lido como um sinal ao Palácio da Redenção — mas, para quem acompanha a cena política, soa como mais um capítulo de uma história antiga.
Afinal, o que não falta são secretários sonhando com uma cadeira na Assembleia. Em toda eleição, quatro ou cinco costumam ser exonerados justamente para entrar na disputa por cargos eletivos.
Antes de encerrar, Gonçalves ainda reforçou que pretende levar a denúncia ao Ministério Público assim que tiver “elementos concretos”. “Quando tiver o fato concreto, apresento. A reclamação é eminente. Tem secretário fazendo campanha com estrutura pública”, insistiu.
Resta saber se, desta vez, teremos algo que realmente vale a pena considerar quando os fatos forem apresentados e tiverem gravidade. Até lá…
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